Lets hold hands while we fuck each other

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-zero.

Tou engasgada. Literalmente. Ando com tosse e tenho a garganta arranhada. Faço secretamente alguns pedidos a entidades divinas que não tenha cancro nem merdas dessas. Não gosto de tornar isto público. É mais erudito e misterioso dizer-me agnóstica. Dá-me um ar mais intelectual e pseudo-independente.

Tenho vindo a descobrir que não sou agnóstica. Mas não é não ser por opção. Diz a avó Dalina que “cada um é pró que é” e parecendo que não, até é uma frase inteligente. Bem, isto pode ser discutível. Mas como o texto é meu, é o que eu quiser.

Estou meio minada e meio apagada. Não sei que metade vou vestir amanhã. Venha o diabo e escolha. Isto de não se ser agnóstico faz evocar as entidades todas, não é só o que convém, está visto.

Esta estrada acidentada está a ter aparato a mais sem ainda ter havido acidente, concretamente. Se ninguém morreu, tudo é reversível  certo? Talvez sejam reversiveis estes últimos anos. Dava os 4 mindinhos e perdia algum equilíbrio para ver a passar em mosaico as várias possibilidades que tivesse à escolha. E aí fazia uma escolha com cabeça. Tronco e membros. E tudo o que houvesse mais para escolher com. Pois bem, cheguem-se aqui ao meu consultório. Isto da ordem natural das coisas é a maior merda que existe. Isto de o dinheiro ditar a ordem natural das coisas é a segunda maior merda que existe. E a terceira é alguma alma pensar que não é o dinheiro que dita a ordem. Fosse eu rica em vez de bonita, como o AC, e reinava a entropia entre dias e anos, cabelos e fronhas, mãos e camas e o que houvesse mais para desordenar. Eu consigo disciplinar-me. Eu consigo fazer o que eu quiser fazer comigo. Mas deixa de ser comigo. Porque eu fiquei lá atrás. E a quarta maior merda de todas é pensar “faz parte” ou “é crescer”.

Fica-me um nó por apertar, porque tenho muito cuidado com a garganta. Fora fumar. Ficam-me umas pessoas por abanar. E uns berros por soltar. Crescer é ter autocontrolo correcto? Estou a perder-me a mim para ganhar espaço para ele. Acho que é assim que se faz segundo quem “cresce” right? Maizó caralho.

Não faz X para não parecer Y. Não diz X para não interpretar Y. Se fez Y Ups! Era para fazer X. E o X de hoje pode ser o Y de amanhã. Isto se não entrar outra variável a meio. É possível.

Pois bem, ja nem me consigo palpar tal é a devastação do corpo. Não está a dar para agarrar numa ponta minha, de tal forma que tem sido arrumadinha para um canto. E o que tenho é um aluguer de abraços. Um aluguer. É uma questão de tempo. E de desordem.

Este chão tem andado a conspurcar-me as solas. Note-se que não escrevi “Tem-me andado a conspurcar”. Eu tenho muitos problemas mas já ultrapassei o problema que tinha com os clíticos. Bem identificado o problema, bem abordado o problema e a coisa deu-se.

Okay, now what? O que tenho andado a pedir parece ter sido engolido por um buraco negro. É uma questão de não-querer. Quanto a isso estamos todos de acordo. E com “todos” refiro-me a todos os meus sentidos. Os demais que se desemerdem. Eles querem muito pouco. São uns vendidos os meus sentidos. 

Trago impregnada nas unhas peles de mortos que vão e voltam. São vontades e mau-feitio e um abrir de hostilidades doentio. Eu sei lá. Mas eu sabia antes. E perdi-lhe o fio porque alguém me sabotou a meada. Alguém me sabotou a meada! E ninguém faz nada? Só me engordam o monstro que me engole as entranhas com medo. 

Trago um travo a mau-amor e bom-ódio. E às vezes mimetizam-se. Mascaram-se. Sabotam-se! São um e outro e o outro foi um! E acaba-se a noite e de manhã não são coisa nenhuma. Há coisas que eu não quero. As que quero estão comigo.

Faz tempo. Faz imenso tempo, lá fora. Um tempo que me passa ao lado o dia inteiro, porque eu de facto passo o dia inteiro sem ir lá fora. A culpa é minha. Raramente não foi assim, dita a história.

É uma responsabilidade vitimizante que não afaga coisa nenhuma. E mais o sentimento de se ser feliz a vida toda. Quais são as cláusulas deste contrato? Isto foi acordado? Alguém decidiu ou se deixou decidir? Não sei, parece que não estive lá o tempo todo.  Ou tempo nenhum, como preferirem.

Regra geral, não sou pessoa de gaguejar. E soluçar enerva-me. E a exposição assusta-me. E o medo de deixar de sentir o que me vicia putrifica-me as ideias. Apodrecem. Cheiram mal. Chateiam-me a mim e o resto que lhes sente o cheiro. São ideias que só existem para abalroar a hormonas felizes.  Talvez seja eu que lhes ganhei alergia e esteja trespassar culpas.

Quando só tinha cigarros raramente sentia falta de outra coisa qualquer. Não sei se é triste se é inteligente. Talvez uma coisa implique a outra. Gente inteligente, geralmente, não vomita arco-íris. E agora que vou deixar de fumar, tou fodida.

Não me apetece sentir o perigo. Não sei bem. Não tenho vontade de sentir o coração a mil. Mil à hora, mil por cento. O gráfico pode ser de queijinhos, desde que a leitura seja fácil e rápida. Eu já vi tudo. Bate certo. Bate quase sempre na mesma tecla. Cansa-me achar que o previsível vai cair de pára-quedas, totalmente inesperado. Cansa-me achar? Cansa-me querer. Sou uma pessoa cheia de alcatrão nos pulmões, cansa-me muita coisa, com muito pouco. Tira-me a vontade, antes que me tire o fôlego. E assim é que a coisa permanece vital. Antes assim. Antes “antes”.

Chega-se a uma altura, um dia, uma horinha ou um intervalo para impingir mais alcatrão a estes pulmões, em que as mãos sossegam. Param para respirar. Recuperam o fôlego e dizem “não vai dar”. Okay. São poucos os limites que me conheço mas quando se abrem hostilidades como esta, sou a primeira a respeita-los mal lhes ponho a vista em cima. Recuar é pouco assustador. É seguro. Meio seco. Vou cuspindo o sabor que me fica e penso  “Assim não há naufrágios”.

Há uma poesia nos acabanços. “Tu mereces melhor”, “O problema sou eu”, “Não me sinto bem, mas tu não tens culpa”, and so on. Na verdade, acabar torna-se quase uma prova de amor, hiperbolicamente altruísta.Como se a salvação do Universo estivesse dependente daquela decisão. É curioso tropeçar num acabanço mais corriqueiro, oco, a fazer um eco aterrador de tão pouco espaço que teve para propagar dores de ouvidos e mais dores que surgissem, em mais de um quarto de século.  Quando deixa de me doer a pele para me doer a cabeça, sei que dura pouco. A pele sente sempre, a cabeça sente quando há tempo para sentir. O cofre esquerdo já só dança e bate ao som da música que ouve, a sorte é que a maior parte do tempo faz ouvidos moucos. Aconselho.
Muito bem, acabar não é trágico, é poético. É quase bonito, se houver arte. O drama sabe a mel se for bem conseguido. Fecham-se ciclos minúsculos enquanto ciclos gigantescos pedem mais papel para se estender. Acabaram-se os esboços, amigos ciclos. E Acabar é pastilha de mentol, pica e refresca, mal perde o sabor é cuspir para longe, não vá ela ficar por baixo da sola.

São todas frases muito geniais, mas o pessoal vê o que quer ver, lê o que quer ler, responde sem saber o que responder, engasga-se em ideias demasiado pequenas para entupir as entranhas. Enlameiam-se figuras de uma lama made in home. Entrelaçam-se lutas demasiado interiores para eu ter o vislumbre mental de apaziguá-las. E se não dá para apaziguar, eu quero é ver essa merda toda a arder. Que arda a vida inteira, que foda tudo o que é madeira, que esse caruncho pessoal é mansinho. Que tenha uma história para contar e no final se escarre, de repulsa e vontade vazia. Que se esfreguem as mãos até não se sentir a pele. Que se afogue em labaredas essas palavras mal-acabadas, mal-amanhadas, mal-amadas, mal-ditas, mal-feitas, mal-desenhadas, pouco desejadas e fodidas. Dia e noite, porque era o que lhes valia. É uma questão de (poucos) desejos.  E de timmings. E que combinação fodida, de tão incompetente. O problema é sistémico. E, regra geral, alheio. Muita bom, está resolvido.

O livre arbítrio é uma coisa perigosa.  Trás à tona uma água suja. Acabou a conversa, acabou-se com a situação. Esgotaram-se as hipóteses, cansou-se da masturbação.  Fosse esse um amor e eu perceberia.  Não sei se envergonha ou se vicia. Quando me apanho sozinha, agarro na minha inquietação e dou-lhe formas, sem arestas vivas. É a promessa de a voltar a ver, com fé de não lhe tomar o gosto. Toma a forma diabólica do que é proibido e doentiamente desejável, e vejo a vida a passar-me em mosaico.   Não era suposto.

Faz-me ruídos em tom de reprovação. Parece que ainda há consciência, digo eu. Tenho questionado a assiduidade da gaja. Já fez esta brincadeira antes, mas aparecia sempre a picar o ponto, em tom de salvação e “paga o que me deves”.  Sou pessoa de não fazer nascer dívidas.

noisy shit by the hands

O mundo a (es)correr. E eu a ver. Este gozo atípico pelo que não é bonito, é macabro. Bate-me forte e o pior é que, pelos vistos, não passa depressa. Tranquiliza-me se pensar que são tempestades pouco fortes, em montes de copos, com tudo menos água. Fraco ou não, tem sido o suficiente. Tem sido constante. O que é turvo, pouco claro, tortuoso e quebrado, tem ali uma aura com cores gastas, que eu teimo em ver de perto. E aproximo-me sem medir o espaço, sem contar o tempo, sem me assegurar que o piso é chão. Bela merda.

O que não é possível é demasiado idealizado. Utopias clássicas a ecoarem num corredor comprido, com poucas portas. O que é idealizado tem este perigo, esta sede, este quase-nada que enche cabeças. As que forem precisas. A cabeça. Só a vejo ao espelho, até necessidade contrária ou vaidade desnecessária, não é a visão mais frequente. O que vejo a toda a hora são as minhas mãos a calarem-se por respeito. Porque lhes convém. Pedem-me situações caladas. As mãos. As situações são barulhentas. E mesmo as minhas mãos às vezes, falam-se-lhe de mais. Foda-se.

Se eu quero? Quero. Há palavras que me assustam. Têm de vir embrulhadas em braços. Têm de vir primeiros os (a)braços e depois o embrulho. E depois o orgulho.

Com sorte, ainda sonho. Com mais sorte, ainda me lembro. Com sorte, ainda espero que não se concretize. Acho que passei o dia com azar, calha bem.

O fernezim deixa-me nervosa e começo a trautear melodias que odeio. Que irritação. O autocontrolo é algo em construção. De quando em vez fecha-me a loja. De vez em quando deixa uma plaquinha a pedir paciência. Eu sou paciente (ou iludida) pelo “volto já”. Não sei bem se volta ou se eu me esqueço do que estava à espera. O que eu espero, cansa-me. Dá-me nós e culpas e dores de garganta porque me obriga a fumar tabaco mais pesado. E estraga-me mais do que os pulmões e as coronárias. Estraga-me o cofre esquerdo, acho que se enfurece de vontades pelas quais não bate. Ou não abre. Ou não fecha. Ou não se lembra ou faz por esquecer, mas escorrem-lhe as vontades pelas pernas abaixo. O autocontrolo é um cabrãozinho de costas estreitas. Mete o bedelho alegando autopreservação. Desaparece e diz que foi franqueza. Ele sabe lá o que é que foi. Só sabe que não se aguenta sozinho. Vale-se-lhe muito pouco.

“Feliz dia da mulher” e recebi uma margarida, a entrar em casa. Eu não gosto de margaridas, nem gosto do dia da mulher. São duas coisas que se não existessem, não me fazia comichão nenhuma e poupavam-me um sorriso meio-simpático, meio-constrangedor a um estranho, de olhos mal-abertos. Acho que ele percebeu que nem ele, nem a margarida, nem a porra do dia da mulher eram bemvindos à minha realidade. Costuma ser fácil lerem-se os meus dentes. Não é que exista uma aversão consumada a este dia e eu prometi a mim mesma que ía deixar de fazer pensar, às gentes que me rodeiam, que voto PCP. Epá não voto, eu só curto do Saramago, oral bolas! Adiante. Este dia parece-me demasiado antagónico à ideia de igualdade. A ideia de igualdade não fica bem em todas as bocas, quanto mais em todas as cebeças. Não é precisa igualdade nenhuma. Não há igualdade entre homens, quanto mais entre homens e mulheres. Está tudo louco? Pseudosociedades-pseudocivilizadas-aspirantes a derrubadoras de estereótipos e preconceitos. Ninguém aqui é nada disso, vocês nunca vão ser nada disso.  E porque é que isso tem de incomodar alguém? Epá, menos, muito menos. Ninguém se incomoda. E verdade seja aqui dita, se se perde muita coisa em ser-se mulher, também há muita coisa que se ganha. Não se pode ter o melhor de dois mundos. Nunca vi mulher nenhuma queixar-se de alguma promoção profissional porque tem dois dedos de cara e não lhe custa absolutamente nada sorrir ao chefe, todas as manhãs. Nunca vi colega nenhuma a queixar-se de uma boa nota, mais ou menos merecida. Passam à frente nas filas de supermercado, entram em discotecas à pala, poupam na bebida porque há sempre quem lhes pague, epá levam buzinadelas no trânsito, por dá cá aquela palha mas não se pode ter tudo.

As mulheres de hoje fazem uma curta e vergonhosa justiça ao que já foi conquistado. É demasiado hipócrita ouvi-las falar. As grandes batalhas, para além de travadas, já foram ganhas, pelo menos, na realidade do Ocidente, por isso deixem-se de merdas. Tendem a ser demasiado activistas de sofá, de uma forma demasiado gratuita para a legitimidade que gostam de promover.  Votam, vão à tropa, fumam, bebem e fodem como gente grande. Não é isso que os homens fazem? Não está bom? Enough is enough, mulheres. Não há nada que não tenham, não há nada que não façam. As exigências feministas mexem-me com as coronárias. Tornaram-se aversas ao choro, à susceptibilidade, de repente são todas feitas de betão impenetravel, cold hearted bitches para se assemelharem a comportamentos masculinos. A culpa é das constantes pseudo-sofridas-heroinas da Foxlife, tenho a certeza. Insatisfeitas com a condição de mulher, fisicamente mais vúlneravel, revelam mentes menos capazes que os bicéps.

Ora bem, cheguem-se lá aqui ao meu consultório. Vamos lá discutir uma coisa. E por discutir entenda-se: eu escrever o que me dá na real gana e vocês, criaturinhas, lêem.
Portanto, a questão é: porque raio se faz luto? Ora, isto é complexo. Acho que o luto ficou impregnado na alma das gentes, durante a rodagem do vídeo da Beatriz Costa, a lavar os corpetes e o avental. Não faz sentido. Diz que é respeito. Oh meus amigos, isto há limites para tudo, até para o respeito. E graças a Deus.

Por tudo se faz luto. Por nada se faz luto. O que importa é que se faça, diz que é sinal de virtude. A comichão que isto me faz! Ena ca chatice! Vamos lá ver uma coisa, o luto está no desconforto. Vive dentro do medo. Come e bebe a angústia. Sonha com a agonia e desespera com a racionalidade. O luto é tudo menos imposição. Existe porque faz parte do processo, já estava no contrato quando se assinou com canetas sem razão. O luto está onde a lucidez nunca se cheirou. Existe por necessidade, existe porque sim, sem se sonhar que ía existir. Com o aterrador medo que um dia realmente existisse.

O luto tem de ser genuíno, não tem de ser preto. Espera-se que faça sentido e não que faça meses ou anos. Espera-se tão pouco dele que tinham de lhe inventar exigências e agora toda a gente faz luto, gratuitamente. A vizinha do 4º Esq, que só fazia era mandar beatas para a roupa estendida do prédio inteiro, morreu. Fica-se de luto. A caneta da Marc Jacobs desapareceu do planeta, sem explicação. Faz-se luto. No Zoo, a parte dos golfinhos estava fechada e eu paguei a porcaria de um bilhete de quase 30 euros e não vou ver a merda dos golfinhos. Desculpem lá, mas isto merece um luto de umas horas. O vidro do centenário armário da sala partiu-se, durante uma busca desenfreada por Kinders. O luto que a senhora minha mãe não me fez para ali.

 Eu experimentei o Luto, uma vez. Deixa as mãos ásperas. Fica um eco de imensa coisa por dizer, onde ele está. E só lhe vi a cor dessa vez. Não era preto.

O que está moralmente descrito é coisa para não me fazer grande mossa. Intriga-me e deixa-me visceralmente indisposta, quando me lembro que tenho de ser mais sensível. E posto isto, não consigo fazer do meu órgão nobre, uma marioneta simpática, a transbordar de emoções bem descritas pelas séries da Fox. Eu peço imensa desculpa por não conseguir estar de luto.

Stay golden

When people say girls with tattoos seem like hoes

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Anonymous

tu es dos seres mais interessantes que anda no tumblr português de portugal

 
drinksmokefuckandfight

that was nice, actually

?

escreve mais textos!

 
drinksmokefuckandfight


Só funciona quando estou fula/triste, capaz de matar gente com lápis afiados ou a vomitar arco-íris. E hoje foi um dia insípido, i guess it wouldnt be that interesting today but I will get sunshine tomorow. Thanks buddy, anyway (L)

?

É em vão, right? Perder o medo. O medo mantém as espécies, é meio-estúpido, meio-inconsequente, perder-se o medo. O que eu escrevo vale tusto e meio. Talvez nem isso. Um aglomerado de palavras a fazer eco em poucas cabeças. E vem-me a revolta à boca. Bolas! Que caralho! Por mim, seria gratuita a visita guiada aos meus dois hemisférios. Entregava um único passe VIP. Esclarecia. Que não me ames. Que não te recuses a continuar a conhecer-me. Tu conheces todos os naipes deste baralho, tu sabes onde estão os Jokers. E mesmo que não pisque, eu fui sempre o ladrão. Tu sabes tanto, que é cruel fingir que não se sabe. Entregar a um saco fechado, sem fundo e perder-se o fio à meada com a esperança que se gaste rápido. É meio-injusto, meio-sujo. Eu não tenho fundo de tantos defeitos e há uma mão cheia que se sabe de cor. Eu pouco penso tudo e eu pouco faço nada. Trás-me à cabeça dejavus e malsabores, punhos fechados e poucas cores. E continuo a salivar. São vontades e esperanças e umas costas mal-amadas. E fazem-me encarnar papéis trágicos, sádicos de tanto que querem magoar. E no fim tenho a estrada esburacada. Tenho o jipe, é na boa. Nunca me fiquei pela tua berma. Só não há como chegar, como continuar, como preservar, como salivar, se tiver um deserto meio-seco, meio-infinito a transbordar de areia movediça. Estou afogada em meios-arrependimentos, meios-desperdicios, meios-desprendimentos, meios-vicios. Sair da armadura, doeu para caralho. Ainda me custa dobrar os braços e as pernas. E o orgulho que não dobrei? E dobrava. Dobrava o orgulho ao cubo. E ficava e pagava. E é na boa já não pertencer aqui, com o malsabor de que fiquei meio-ali, meio-aí. Se se procurar bem, se se parar para parar de odiar. Eu faço 30 por uma linha e nunca deixei de salivar. É na boa, já bazei. É tranquilo, refresquei.